|
NOÇÕES
BÁSICAS DE PREVENÇÃO DE INCÊNDIO
A
grande necessidade, desde há muito comprovada de ajudar os
condóminos a agirem com conhecimento e calma no combate ao incêndio
levou a AdmCondomínios a divulgar este manual. Longe
de ser um manual complicado, a AdmCondomínios, reuniu uma série de
informações básicas sobre o conceito e a natureza do fogo,
bem como os equipamentos e métodos necessários para combatê-lo
em casos de emergência. Esperamos que, a curto prazo, este
manual possa ser de grande ajuda para que os condóminos saibam como
enfrentar um incêndio, tomando consciência das principais
providências a serem tomadas tão logo o fogo se manifeste.
O modo correto de extinguir o fogo significa a salvação de
muitas vidas humanas. Leia atentamente as instruções e procure
divulgá-las no seu condomínio.
RESUMO:
|
CLASSE
|
SÍMBOLO
|
TIPO
DE FOGO |
EXEMPLOS |
EQUIPAMENTO
A UTILIZAR
|
|
|
|
|
|
ÁGUA
|
PÓ
QUÍMICO "BC"
|
CO2
(GÁS CARBÔNICO)
|
ESPUMA
MECÂNICA
|
|
|
|
Materiais
sólidos de fácil combustão |
Madeira,
papel, roupas, etc. |
SIM
|
NÃO
|
NÃO
|
SIM
|
|
|
|
Líquidos
inflamáveis e gases |
Gasolina,
álcool, solventes, etc. |
NÃO
|
SIM
|
SIM
|
SIM
|
|
|
|
Equipamentos
elétricos energizados |
Computador,
aparelhos eletrodomésticos, motores, etc. |
NÃO
|
SIM
|
SIM
|
NÃO
|
INTRODUÇÃO
O
fogo é tanto útil como destruidor. Sob controle, presta grandes
serviços, desde o simples fogão doméstico até as fundições,
fornalhas e outras operações industriais. Descontrolado, isto
é, quando chamamos de incêndio, causa prejuízos e as vezes
grandes sinistros, envolvendo muitas vidas humanas. Devemos
lembrar sempre que "o incêndio acontece onde a prevenção falha".
O ideal é realizar um bom trabalho de prevenção de incêndio
evitando-se assim o começo do fogo.A seguir descrevemos as
principais causas de um incêndio:
Sobrecarga
elétrica: evite ligar dois ou mais aparelhos numa só tomada,
pois isto sobrecarrega o sistema elétrico, provocando superaquecimento
dos fios com possibilidade de curto-circuito.
Fusíveis:
quando um fusível queima seguidamente é porque há problema
de instalação elétrica. Jamais reforce os fusíveis pois anularia
sua função de segurança.
Equipamentos
elétricos: desligue completamente os equipamentos elétricos
de onde você trabalha no momento de encerrar o expediente
ou de onde você mora, quando se ausentar por mais tempo
do que o normal. Desligue-os, também, das tomadas.
Cigarros:
um simples cigarro tem provocado grandes tragédias. Ao terminar
de fumar apague completamente o que restou do cigarro. Não
o deixe queimando no cinzeiro. Ao despejar cinzas e pontas
de cigarro na lixeira verifique se não há resquícios de brasa.
Lixeiras:
não deixe o lixo acumular, nem jogue na lixeira panos ou papéis
impregnados de líquidos inflamáveis, pois tudo isto constitui
grande perigo.
Líquidos
inflamáveis: muito cuidado ao manusear álcool, solventes,
removedores e líquidos inflamáveis em geral. Não os deixe
perto de fogo. Cuidado com seu armazenamento.
Quando
a prevenção falha e acontece o início do fogo, então temos
que agir. A finalidade deste manual é ajudar a agir com conhecimento,
calma e racionalidade, sempre que houver início de fogo. O
homem tem de conhecer a natureza do fogo e os equipamentos
necessários de que dispõe para combatê-lo enquanto pequeno.
CONCEITO
DE FOGO
Fogo
é um tipo de queima, de combustão. É uma reação química de
oxidação exotérmica (com desprendimento de energia). Para
que haja fogo são necessários três elementos essenciais: combustível,
calor e comburente. A eliminação de qualquer um desses elementos
apaga o fogo. Para entendermos melhor como se forma o fogo,
vejamos o triângulo do fogo.
Combustível:
é o que alimenta o fogo, facilita sua propagação e pode ser:
a)
Líquido: álcool, éter, gasolina, etc.
b) Sólido: madeira, papel, tecido, etc.
c) Gasoso: butano, propano, etc.
Comburente:
é o elemento ativador do fogo.
Calor:
é uma forma de energia. Provoca o início do incêndio mantendo
e incentivando a sua propagação.
CLASSES
DE INCÊNDIO
Os
incêndios são classificados de acordo com as características
dos seus combustíveis. somente com o conhecimento da natureza
do material que está se queimando, pode-se descobrir método
para uma extinção rápida e segura.
|
|
Incêndios
de classe A: são os incêndios em materiais sólidos
de fácil combustão, com a propriedade de queimarem em
superfície e profundidade, deixando resíduos (cinzas,
brasas, etc.). Exemplos: tecido, madeira, papel, fibras,
etc.
Nestes
incêndios deve-se usar um agente extintor que tenha
poder de penetração, eliminando o calor existente. Portanto
é recomendável a água, ou outro agente que a contenha
em quantidade.
|
|
|
Incêndios
de classe B: são os incêndios que acontecem em materiais
gasosos e líqüidos inflamáveis, produtos que se queimam
somente na superfície e não deixam cinzas.
Exemplos:
óleos, graxas, vernizes, gasolina, tintas, thinner,
etc. O método de extinção do da classe B é por abafamento
e os extintores mais indicados são os de espuma, pó
químico seco (PQS) e gás carbônico (CO2).
|
|
|
Incêndios
de classe C: são incêndios que ocorrem em materiais
energizados, por onde passa corrente elétrica, como
motores, geradores, transformadores, etc.
O
método de extinção adequado para o da classe C deve
ser por meio de um extintor que não conduza corrente
elétrica como é o caso do pó químico seco (PQS) e do
gás carbônico (CO2). É importante que não se utilizem
qualquer extintor à base de água, pois a água é condutora
de eletricidade, o que põe em risco de vida do operador
do equipamento.
|
Os
agentes extintores que atuam nestes materiais são agentes
especiais, que isolam do ar o metal combustível, interrompendo
a combustão.
Métodos
de Extinção do Fogo
Métodos
de extinção do fogo:
Resfriamento:
quando se retira o calor. É um dos métodos mais eficientes
de extinção de incêndio, ou seja, quando baixamos a temperatura
do combustível até o ponto em que não existam mais condições
de desprendimentos de gases ou vapores quentes. A água, largamente
usada no combate a incêndios, é um dos mais eficientes agentes
resfriantes.
Isolamento:
quando se retira o material (combustível) que poderia ser
atingido pelo fogo, evitando a sua propagação para outras
áreas.
Abafamento:
quando se retira o comburente (oxigênio), abaixando os níveis
de oxigenação da combustão. O oxigênio é encontrado na atmosfera
na proporção de 21%. Quando esta porcentagem é limitada ou
reduzida a 8%, o fogo deixa de existir.
EXTINTORES
DE INCÊNDIO
São
aparelhos que contêm os agentes extintores de incêndios, ou
seja, certas substâncias químicas sólidas, líquidas ou gasosas,
utilizadas na extinção de um incêndio. Eles podem ser aparelhos
portáteis de utilização imediata (extintores), conjuntos hidráulicos
(hidrantes) ou dispositivos especiais (sprinklers e sistemas
fixos de CO2).
Os
extintores devem estar:
- visíveis (bem localizados);
- desobstruídos (livres de qualquer obstáculos que possa dificultar
o acesso até eles);
- sinalizados (para melhor visualizá-los caso não estejam
visíveis).
Extintores
de incêndio portáteis: são os aparelhos de mais fácil e rápida
utilização. Existem vários tipos. Vejamos os mais comuns:
 |
a)
extintor de água pressurizada: age por resfriamento.
É indicado para incêndios da classe A, por penetrar
nas profundidades do material, resfriando-o. Não pode
ser utilizado em líquidos inflamáveis e equipamentos
elétricos. Tem a desvantagem, em alguns casos, de danificar
o material que atinge. Neste extintor a água é acondicionada
em cilindro metálico, o qual possui um gatilho para
controle do jato, bem como um dispositivo para dirigi-lo
e um manômetro que indica a pressão que se encontra
o líquido no seu interior. Deve ser inspecionado a cada
seis meses, inspeção que consiste em verificar a pressão
indicada no manômetro.
Modo
de usar:
1º - Leve sempre o extintor ao local do fogo.
2º - Coloque-se com o extintor a uma distância segura
do local do fogo.
3º - Retire a trava de segurança, aperte a alavanca
e empunhe a mangueira.
4º - Dirija o jato para a base das chamas. Caso queira
estancar o jato basta soltar a alavanca
|
|
|
b)
extintor de espuma: age tanto por resfriamento (sendo
indicado para incêndios da classe A) quando for abafamento
(sendo então indicado para incêndios da classe B). Não
pode ser utilizado em incêndios da classe C, ou seja,
em equipamentos energizados e tem a desvantagem de danificar
o material que atinge. A espuma para combate a incêndio
é um agregado de bolhas cheias de gás, geradas de soluções
aquosas. Sua densidade é menor do que a dos líquidos
inflamáveis e combustíveis. É utilizada principalmente,
para formar uma capa flutuante de cobertura. Extingue
o incêndio neste líquido, cobrindo e resfriando o combustível,
de forma a interromper a evolução dos vapores e impedir
o acesso do oxigênio.
Modo
de usar:
1º - Leve o extintor até o local do fogo sem invertê-lo.
2º - Inverta o extintor somente quando chegar ao local
do fogo, direcionando a válvula para a base das chamas.
3º - A espuma flutua na maioria dos combustíveis líquidos,
por isso, quando se tratar de recipiente com líquido
inflamável ou combustível, dirija o jato contra um anteparo.
Assim, a espuma vai chocar-se contra ele, escorrer e
flutuar sobre o líquido em chamas, abafando-o. O jato
disparado só estanca quando esgotada a carga
|
 |
c)
extintor de pó químico seco: age por abafamento.
Sua ação consiste na formação de uma nuvem sobre a superfície
em chamas, reduzindo a porcentagem de oxigênio disponível.
Pode ser utilizado nas três classes de incêndio, embora
seja mais eficiente nas classes B e C. É corrosivo,
danificando o material que atinge, não devendo ser empregado
em aparelhos elétricos delicados (relés, filamentos,
centrais telefônicas, computadores e outros). É tóxico,
devendo ser evitado em canais fechados. Esse extintor
pode ser de pressão injetada ou extintor de pó pressurizado
internamente.
Modo de usar:
1º - Leve o extintor ao local do fogo.
2º - Se o extintor for do tipo pressurizado, retire
o pino de segurança.
3º - Se for do tipo pressão injetada, desatarraxe a
válvula da garrafa externa, segurando a mangueira com
a válvula acionada, para evitar seu entupimento e um
possível acidente.
4º - Aperte o gatilho e dirija o pó procurando cobrir
o fogo, principalmente se for da classe B
|
 |
d)
Extintor de CO2: age por abafamento, expelindo CO2
, reduzindo a concentração de oxigênio do ar. O CO2
é mais pesado que o ar (por isso desce sobre as chamas).
É inodoro, incolor e não conduz eletricidade. É especialmente
indicado nos incêndios de classe C e B, podendo ainda
ser usado na classe A com ação positiva. Tem a vantagem
de nunca danificar o material que atinge, podendo ser
empregado em aparelhos delicados (relês, filamentos,
centrais telefônicas, computadores e outros) sem danificá-los.
O extintor de CO2 não deve ser usado em materiais leves
e soltos pois seu "sopro" poderá espalhar o material
em chamas, facilitando a propagação das mesmas. Também
não deve ser instalado em ambientes onde a temperatura
possa atingir mais de 50ºC, pois sua válvula de segurança
poderá romper-se, permitindo a saída de gás. Em recintos
pequenos e fechados pode acontecer gás de CO2 reagir
com o oxigênio e tornar o ambiente asfixiante.
Modo
de usar:
1º - Retire o pino de segurança quebrando o arame do
selo de lacre.
2º - Retire o esguicho (difusor) do seu suporte, empunhando-o
com uma das mãos, na manopla.
3º - Com o extintor na posição, acione a válvula e com
a outra mão dirija o jato para a base do fogo, movimentando
o difusor
|
Obs.:
as imagens dos extintores são ilustrativas. A etiquetagem,
o formato e a cor utilizada pode variar de fabricante a fabricante.
Extintores
de carreta: são extintores de grande volume. para facilitar
o seu transporte, são montados sobre rodas, formando uma carreta.
Devido ao seu porte, são operados por dois elementos. Como
acontece com os extintores normais, os tipos mais comuns são:
a)
Carga líquida - espuma , soda ácida e água pressurizada:
sua capacidade é de 75 a 150 litros e seu jato tem alcance
de 10 a 15 metros com duração de três minutos.
Modo
de usar: Deve ser operado por duas pessoas. O elemento "A"
abre o registro, enquanto o elemento "B" tira a mangueira.
O elemento "A" deixa a carreta e o elemento "B" ataca o fogo.
b)
Gás Carbônico - CO2: consiste em um extintor comum de
CO2 de porte maior, com grande extensão de mangueira.
Modo
de usar: Deve ser operado por duas pessoas. O elemento "A"
controla o registro enquanto o elemento "B" coloca a mangueira
na posição para atacar o fogo.
c)
Pó químico seco (PQS): é um extintor de pó em escala maior,
com a diferença de possuir mangueira mais extensa e válvula
redutora de pressão. É fabricado em modelos para diferentes
capacidades. Seu jato chega a alcançar 10 metros.
Modo
de usar: Deve ser operado por duas pessoas. O elemento "A"
abre o registro da garrafa, enquanto o elemento "B" posiciona
a mangueira e ataca. Observação: Na colocação das carretas
deve-se sempre observar o livre acesso a qualquer ponto do
local de sua instalação.
OUTROS
DISPOSITIVOS DE COMBATE A INCÊNDIO:
Hidrantes:
são dispositivos existentes em redes hidráulicas, que facilitam
o combate ao fogo. O sistema de hidrantes é composto de um
reservatório que pode ser elevado ao subterrâneo, de um conjunto
de canalização, de mangueiras, esguichos, registro, engate
de mangueira e abrigo.
Modo
de usar:
1º - Localize a mangueira
2º - Desenrole-a
3º - Conecte a mangueira ao hidrante
4º - Estique totalmente a mangueira
5º - Combata as chamas, dirigindo o jato à base do fogo
Dispositivos
especiais (Sprinklers): são também conhecidos como "chuveiros
Sprinklers". Esse sistema consiste na distribuição de encanamentos
ligados a um encanamento central, do qual saem ramificações
de tubos cujos diâmetros diminuem à medida que se afastam
da linha principal. Nessas ramificações são instalados bicos,
peças dotadas de dispositivo sensível à elevação de temperatura
e destinadas a espargir água sobre a área incendiada, quando
acionadas pelo aumento da temperatura ambiente.
PROCEDIMENTOS
Como
proceder em caso de emergência
Tão
cedo o fogo se manifeste, as seguintes providências devem
ser tomadas:
Mantenha
a calma. Ande, não corra.
Desligue inicialmente o sistema elétrico (sempre que possível)
Retire os ocupantes do local atingido.
Desça sempre pelas escadas.
Nunca use elevadores.
Inicie imediatamente o combate ao princípio do incêndio, se
você tem os conhecimentos básicos para tal.
Em caso de incêndio avise imediatamente o Corpo de Bombeiros
(telefone 193).
CHECK-LIST
PARA CONDOMÍNIOS RESIDENCIAIS
1.
Verificar se há fluxo de água nas mangueiras
com pressão suficiente para atingir o foco de incêndio
a uma distância que proteja o operador (às vezes,
obstruções são descobertas nessa simulação);
2. Checar se um lance de mangueira é suficiente para
atingir todo o pavimento, ou se é necessário
um segundo lance;
3. Confirmar a existência de engates rápidos
(juntas Storz) em número suficiente;
4. Controlar a periodicidade das vistorias das mangueiras
por empresas credenciadas pelo Inmetro;
5. Controlar a periodicidade das vistorias de extintores por
empresas credenciadas pelo Inmetro;
6. Checar a etiqueta de identificação, a ficha
de controle de inspeção e a sinalização
dos extintores:
7. Manter, em cada turno de trabalho, um ou mais funcionários
do Condomínio inteiramente habilitados a manejar as
mangueiras ou os extintores da maneira correta e adequada
a cada tipo de incêndio;
8. Garantir a existência de boas condições
físicas de escape: corrimãos, fitas antiderrapantes,
luzes de emergência potentes e com boa autonomia;
9. No caso de Condomínios de construção
mais recente, cuidar da manutenção do sistema
de portas corta-fogo e exaustão de fumaça;
10. Checar periodicamente as condições do sistema
de pára-raios e sua manutenção regular;
11. Criar um Grupo de Coordenação e Controle
de Emergências, para definir todas as tarefas a serem
executadas em casos de emergência (controle da parte
elétrica, da parte hidráulica, das comunicações
(interna e com os Bombeiros), de segurança, etc.);
e
12. Elaborar um plano de escape e, se possível, de
realização de simulações.
Fonte:
Apostila sobre Noções Básicas de Prevenção de Incêndio da
Divisão de Higiene, Segurança e Medicina do Trabalho - DHSMT
|